quarta-feira, 6 de abril de 2011

Filme: O livro de Eli.



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Alerta! Se você ainda não viu o filme, então não leia, deixe para depois do filme.
 
 Uma aluna disse: “professor, vi um filme e gostaria que você assistisse e fizesse um comentário”. Bem, foi mais ou menos assim que ela me pediu para assistir o filme “O Livro de Eli”, eu tinha visto um trailler do filme no cinema, mas sabe aquele filme que ficamos curiosos em ver, mas que por um motivo ou outro, acabamos não assistindo? Esse foi um deles...


Fui assistir e gostei muito , o filme tem muitos sentidos e muitas interpretações possíveis...
Assisti ao filme com papel e caneta e escrevi tudo que achei interessante, depois fui pesquisar alguns dados.
Bom, para começo de conversa, o nome Eli é um nome hebraico e significa o “elevadíssimo”, o sacerdote que possuía mais elevação do santuário de Silo, segundo a Bíblia, ele foi sacerdote e juiz por 40 anos em Israel, mas sobre ele pesava uma profecia...


  O filme se passa num mundo em ruínas, semelhante ao do filme Mad Max, onde impera a lei do mais forte, um mundo que sofre de escassez de alimentos, de água e valores, resultado de uma guerra que o filme não diz claramente o motivo, entre quem, nem como se deu tal guerra. O “mocinho” é Eli, ele é um andarilho solitário que escuta um mp3 e todos os dias lê um livro que ele carrega com todo cuidado. Em seus 30 anos de caminhada, seu caminho é sempre em direção ao oeste, ele encontra muitos desafios e perigos, saqueadores e canibais. Eli é um perito em lutas, pois em seus confrontos contra bandidos assassinos – canibais ou não – ele sempre luta contra vários mercenários armados ao mesmo tempo, vencendo-os.


Eli chega a uma cidade onde  Carnagie domina pela força, ele é responsável pela a distribuição da água, o governante vive uma obsessão, encontrar um livro, a Bíblia. Para encontrar a Bíblia, ele usa todos os meios possíveis, mercenários saqueiam e matam viajantes para roubar livros, o detalhe é que praticamente, na cidade, só o Carnagie sabe ler. 


Ao chegar à cidade, Eli procura um “comércio” para recarregar o alimentador Phantom – acredito que seja um tipo um carregador de bateria – o comércio funciona a base do escambo, enquanto o alimentador  é recarregado, elei vai a um bar comprar água, porém no bar uns mercenários que trabalham para Carnagie brigam com Eli,  antes de começar se defender, o mocinho recita um verso que parece ser da Bíblia, no embate ele mata todos praticamente.  Carnagie fica impressionado com o resultado e convida o forasteiro para ficar na cidade, e diz que o lugar é “civilizado”, pois não é admitido o canibalismo, e que ele deveria treinar os mercenários do tirano, com a finalidade de expandir os domínios do vilão, educadamente desconfiado, Eli rejeita a proposta. Nesse momento também o chefão da cidade descobre que o andarilho também sabe ler, e que pratica a leitura todos os dias. Procurando mudar a decisão de Eli, Carnagie obriga o viajante a dormir na cidade para desfrutar da “hospitalidade” e dar a resposta sobre a proposta no outro dia, para tentar convencer Eli, o tirano envia Solara para seduzir, Solara é filha de Claudia, uma mulher cega que é humilhada por Carnagie. O  plano de seduzir o forasteiro, não funciona, mas o chefão descobre que Eli tem o livro  desejado com tanta obsessão por Carnagie.


          Eli consegue fugir, durante um tiroteio no qual ele mata alguns mercenários, Eli acerta um tiro no joelho do tirano. Diante das baixas, o chefe dos mercenários de Carnagie questiona tantos gastos de material e de mortes dos mercenários em busca  de apenas um livro. Com muita raiva o tirano diz que não se trata de um simples livro, mas de uma arma para dominar os corações fracos e desesperados. Assim ele dominaria um não só a cidadela, mas multidões. 


 Solara tenta seguir o nosso herói, este não aceita, mas ela oferece em troca de sua aceitação, ela diz a Eli onde fica a fonte de água da cidade, após conseguir a água, Eli deixa Solara trancada na fonte e avisa que a estrada não é um bom lugar para ela, pois é muito perigoso. Eli segue seu caminho, mas percebe que a mocinha está em perigo, e volta para salvá-la de um bando que estava prestes a estuprar a moça – a segunda cena de estupro que aparece no filme, claro que sem detalhes da violência – pra variar eles, os bandidos foram mortos. Carnagie que estava caçando Eli descobre que Solara também estava em fuga.


À noite, o casal fugitivo para descansar, Solara pergunta como era o mundo antes da guerra, Eli diz que era um mundo de fartura, onde as pessoas tinham mais do que precisavam, onde existia muito desperdício, tudo era descartável, ela fica surpresa. Eli conta para Solara que ele está numa missão há 30 anos, que ouviu uma voz  que o guiou até o livro, a mesma voz disse que ele deveria levar o livro em segurança para o oeste, ele explica – ou tenta explicar o que é fé – os questionamentos de Solara levantam dúvidas sobre a missão de Eli, mas ele rebate e diz que é um ato de fé, que não se questiona. Ele explica a ela, que aquele é o único exemplar da Bíblia, que todos os outros foram queimados após a guerra, sob a alegação que a causa da guerra teria sido o livro. No outro dia, recomeçam a caminhada, chegando a uma casa no meio do nada, ao chegarem a casa eles caem numa armadilha, a casa é habitada por um casal de velhinhos armados, que acabam convidando para um chá, Eli descobre que eles são canibais e que já mataram muitos desavisados, ao tentar fugir eles percebem que a casa já está cercada por Carnagie e seu bando.


No embate – tiroteio, explosões e, como em todos os filmes americanos, carros explodindo – o  casal de velhinhos canibais acabam morrendo, alguns mercenários morrem, Eli é baleado por Carnagie que questiona a fé do herói, Solara e o livro são levados pelo tirano. Solara consegue fugir e volta para resgatar Eli, mas ao chegar na casa onde ocorreu o tiroteio, ela não acha Eli, ela da meia volta no carro e acha o herói caminhando cambaleando em direção ao oeste.



Carnagie feliz por ter conseguido finalmente o livro, chama o engenheiro para abrir o fecho do livro, mas ao conseguirem abrir a Bíblia, o tirano fica perplexo, o livro estava em braile – a escrita dos cegos – ele chama Claudia para ler o livro, ela percebe o conteúdo do livro e com um risinho de vingança pelos anos de maus tratos a ela e a filha Solara, Claudia finge que não sabe mais ler braile, pois já faz muitos anos, e percebe que o tirano está com febre em decorrência da infecção do tiro no joelho. Ela ironiza sobre o quanto ele matou em busca da Bíblia para manipular o livro e conseqüentemente manipular mais pessoas e aumentar o seu poder, porém, agora ele estava doente e não conseguia nem impor ordem em seu  bar, onde ocorria uma briga e saques.
Na estrada, seguindo em direção ao oeste, Eli em um carro dirigido por Solara, chega ao local dito a Eli pela “voz”, o local é Alcatraz, onde funciona uma gráfica. Eli após trinta anos de obsessão em salvar o único exemplar da Bíblia, lendo diariamente, sabe decorado o conteúdo do livro e se propõe a ditar para que o responsável pela gráfica escreva e depois faça a impressão do livro. O responsável pelo lugar mostra um acervo de livros e explica que só faltava a Bíblia, que a finalidade daqueles livros era a reconstrução do mundo através do conhecimento. Eli que era barbudo faz a barba e raspa a cabeça e se veste com uma rouba branca semelhante a dos mulçumanos. Ao terminar a sua tarefa ele agradece a Deus, pede perdão por eventuais pecados e morre, Solara pega a bolsa, o mp3 e as armas e volta para a cidade de Carnagie. No final do filme, mostra a Bíblia sendo impressa, e depois de pronta ela indo para uma estante, ironicamente ficando ladeada pelo Torah e pelo Alcorão e por outros livros religiosos.

Se a música  era para trazer alguma reflexão, não trouxe, pois o áudio em inglês não possibilita, que a maioria dos brasileiros perceba o conteúdo da letra e associá-lo ao contexto do filme.


O filme mostra o como um homem em uma jornada de 30 anos, diante de todas e das mais severas privações, sofrimentos e perigos, se mantém – ou pelo menos tenta se manter – integro e segue com retidão os valores morais, graças a fé. A fé que traz a esperança de um mundo melhor e dá forças para prosseguir em sua missão.
Os diálogos de Carnagie apontam para poder da palavra, o exemplo mais direto é quando ele diz que “o livro é uma arma”, a manipulação de uma religião é uma ferramenta eficaz para aumentar e se manter no poder, pois o tirano deixaria de dominar através da força e passaria a dominar pela cabeça, pelo convencimento.  Daí o filme todo girar em torno da Biblia. Vemos também como a fé e a esperança mantiveram firmes os ideais e valores de um homem acima de qualquer obstáculo ou sofrimento.
O filme também faz seus questionamentos, tais como o atual consumismo, desperdício e intolerância religiosa.
Ao mesmo tempo, sem ser direto, percebemos que quando no filme é dito que a bíblia foi acusada de ter causado a guerra que “acabou o mundo”, nos faz pensar na intolerância religiosa, principalmente a questão ligada ao ocidente (EUA) e ao oriente médio, os EUA, que se diz cristão, no stress do medo de atentados terroristas e de guerras no oriente médio, os países envolvidos são seguidores de uma religião que segue o Alcorão. Mas acho que o conflito vai além das questões puramente religiosa.
Outro detalhe importante é como o estado de necessidade, leva ao fim dos escrúpulos, dos valores, acho que essa é uma das razões para as cenas de violência que envolvia desde roubo, passando por estupros e assassinatos.  Ao mesmo tempo, vemos Eli se mantendo fiel aos valores. Lembro de países que após catástrofes cometem saques, porém no caso da recém tragédia do Japão, não temos notícias de saques. Será que é o peso de uma educação e de valores assimilados e respeitados pela população?
A ironia: Carnagie humilhou, maltratou Claudia e Solara, no final, o conhecimento que ela tinha sobre o braile fez ele se humilhar para que Claudia lesse a Bíblia.
O primeiro livro impresso por Gutemberg foi a Bíblia, a cena da preparação da impressão da Bíblia lembra isso. Ainda vemos, que a gráfica funcionava em Alcatraz, uma antiga e prisão, a ironia está que a prisão agora seria o lugar de onde deveria vir a libertação, a reconstrução da humanidade através do conhecimento.
Apesar de proteger o livro do cristianismo, Eli ao ditar o conteúdo da Bíblia, estava vistindo uma roupa aparentemente islâmica, a Bíblia depois de impressa foi colocada lado a lado com o Torah e o Alcorão.



8 comentários:

  1. filme muito interessante...pois ele conta como foi a vida religiosa de um verdadeiro forasteiro...uma historia emocionante

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    1. Maais então como que ela sabia que era flexa dele quando o eli tira no cara

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  2. e me conta os detalhes que a menina ia ser estrupada kkkk e serio nao entendi essa parte

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  3. e da ondi que ele conseguiu tirar flexa di la

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  4. Obrigada pela colaboração. Vou passar esse filme para minha turma. ABS.

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  5. Um detalhe: se já era difícil no contexto do filme achar água potável para beber, de onde saía combustível para mover os carros? Milagre bíblico, com certeza!

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